quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Saliência interrompida

Após uma releitura rápida de "A Casa dos Budas Ditosos", do João Ubaldo Ribeiro e de "Pilatos", do Cony, bons romances sobre a sexualidade, sem contar, ainda, com os festejos momescos se aproximando, nada mais apropriado do que relatar um fato ocorrido em uma video-locadora-posto-de-conveniência aqui na 107 Sul.

Todos os bons estabelecimentos do gênero têm um espaço discreto para os apreciadores de filmes de sexo explícito. Eles vão lá, fazem a sua escolha e quem, no máximo, toma conhecimento da predileção feita é o funcionário da casa que precisa buscar o exemplar, geralmente lacrado em uma embalagem escura e também discreta para o consumo. Certo? Não nesse.

Após uma refeição à base de crepes com nomes cinematográficos, nos dirigimos ao caixa para pagar nosso desjejum. Eis que reparo dois enormes cadernos plastificados com inscrições coloridas e berrantes de capa dura preta com o nome "Filmes Eróticos"... bem ao lado do caixa onde as filas se formam.

Fico me perguntando se alguém reparou na falta de sutileza de tal disposição:

- Oi.Vou Levar duas batatas Pringles, uma Coca e pipoca pra microondas. A propósito... já chegou As Ninjas Taradas 5?


Bom carnaval.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

O pior do mundo

A revista Forbes apontou o aeroporto de Brasília como o pior do planeta em pontualidade. Quando a revista se propuser a fazer uma investigação sobre os outros tipos de transporte público da Corte, como os ônibus, aí eles serão obrigados a redesenhar as definições de atraso.

Para ler a matéria completa, clique no título desse post

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Pede pra fechar!

A nova regra determinada pelo GDF (leia-se Governo do Distrito Federal para os não- íntimos) é que todos os bares e restaurantes de áreas residenciais, em especial os localizados no Plano Piloto (Asas Sul e Norte), que não possuam proteção acústica (ou seja, estamos nos referindo a pelo menos uns 80% das casas) fechem suas portas, no mais tardar, às 2 da manhã por causa do incômodo criado pelo burburinho boêmio aos honestos moradores.

O Sindicato de Bares e Restaurantes local diz que foi obrigado (quase ameaçado) em estabelecer tal normatização. A briga é boa e promete, já que os prejuízos previstos para quem não se adequar a essa nova lei vão ficar na ordem de uns 40%.

Ou seja, aquele choppinho depois da sessão das 22h, esquece...As locadoras de DVD agradecem.

Ou como diz a sabedoria popular: no campo, durma-se com as galinhas

Aliás e a propósito
Informação dada pela esposinha amada: há algum tempo, blocos de carnaval são proibidos de circular pelo Eixão, a principal via de acesso à cidade. Motivo: o barulho. Alguém precisa avisar às autoridades que, nessa época do ano, Brasília vira uma cidade-fantasma, uma verdadeira evasão populacional, e pouquíssimas pessoas se atreveriam a fazer tal reclamação pelo simples fato de elas não estarem aqui.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A volta....

Depois de 17 dias mais do que aproveitáveis e reenergizantes no RJ (fotos novas no orkut para os fuxiqueiros de plantão), retorno à candangolândia com o "mau-humor" reabastecido para dissecar as extravagâncias jequísticas da cidade-autorama.

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Para meu alívio, e de muita gente também, os concursos públicos terão prosseguimento, sim. Eles apenas estão suspensos até concluírem as negociações entre governo e oposição sobre os cortes do orçamento disponível para 2008 (alguns falam na ressurreição da CPMF...),certame esse que deverá ocorrer obrigatoriamente até 28 de fevereiro. O que não foi devidamente explicado pela imprensa é que agências, autarquias e outros organismos administrativos federais como a ANP, Caixa Econômica e Abin, por exemplo, possuem autonomia financeira para custear organizadoras de concursos, independente da pindaíba do governo. Basta apenas que justifiquem os gastos ao Ministério de Planejamento.

Ou como bem melhor explica o professor Wilson Granjeiro, especialista em concursos públicos:

"Também não serão suspensos concursos previstos pelo governo federal para a substituição de funcionários terceirizados, conforme termo de ajuste de conduta firmado com o Ministério Público, os quais deverão preencher mais de 7 mil vagas. Da mesma forma, os concursos previstos para o Senado Federal, para o Tribunal de Contas da União e para o Supremo Tribunal Federal não deverão ser afetados."


Portanto, nada de choradeira, bravos concurseiros!

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E não é que o BBB 8 traz uma candanguinha entre os habitantes da casa? O país inteiro conhece, graças a professora de inglês Tatiana, uma variação inédita do famoso par ou ímpar. Ele é americano...Pronuncia-se "par ou ímpar americaaaaaa-no!" Deve ser coisa criada no Park Way.

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E a febre amarela em Brasília? Uma vovó nos seus 80 anos, caminhando com dificuldade e amparada por neta e filha, presumivelmente, foi assediadíssima por flashes de fotógrafos de alguns jornais da região e por uma equipe do DF-TV. Foi a celebridade instantânea do posto de saúde.

Lá atrás, nas salas onde a população estava sendo vacinada, padeciam auxiliares de enfermagem estressadas com tantas picadas a serem dadas em tantos contribuintes. Uma delas, de fato, deu-me uma estocada no braço que mais pareceu uma tentativa de assassinato. A dor representaria uma economia de tempo ou algo assim? Se não sou rápido o suficiente, quase derrubo no chão o chumaço de algodão que deveria estancar o meu sangue,já que após o meu pequeno supĺício, ela já se preparava para outro atendimento.

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Enfim, agora me sinto de volta à Brasília... Feliz 2008.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Os primeiros 6 meses

Não é fácil abandonar a asa sempre acolhedora da mãe, as conversas sempre tão recíprocas de amigos de longa data, a terra sempre tão disposta a ser hospitaleira e gentil para com os que chegam e viver longe de todos esses predicados numa cidade onde não há nem uma coisa, nem outra, e tampouco a terceira.

Não quero passar a impressão de que essa metade de ano aqui em Brasília seja apenas um calvário frustrante. Aprendi que sobreviver em um local que não te pertence, sem um mínimo de tolerância possível, é um exercício eterno de masoquismo despropositado. Pra quê ganhar mais rugas e cabelos brancos com problemas pequenos se o próprio tempo cuida disso.

Estou sendo feliz com a minha vida pessoal, um desafio constante, extenuante, cansativo ás vezes. Não recomendo a ninguém que escolha viver a dois sem que não haja paciência, perseverança e maturidade para tal. Mas que há as suas delicias, isso não há dúvida.

A partir da semana que vem prometo fazer um balanço detalhado. Em um único e grande post para todos entenderem o que é viver aqui.

No mais, feliz 6 meses de vida candanga

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Cadê a ditadura? Sumiu....

Atualizado às 11:45h de 4 de dezembro

Jornalistas políticos pertencem a uma raça que adora tentar antecipar o futuro com a ajuda de projeções feitas por institutos de pesquisa chapa-branca ou publicamente contrários a algum mandatário do Executivo. Já os regimes políticos que supostamente censuram os meios de comunicação de algum país, merecem mais do sarrafadas de costume em editoriais nos jornalões. E com razão. Mesmo vendida, patrulhista ou parcial ao extremo, antes uma imprensa livre com esses sintomas do que toda ela sistematicamente calada e impedida de se expressar. Assim é a democracia, infelizmente feita para não agradar a todos. Mas a defesa apaixonada e corporativa dessa mesma mídia resulta em desastres como o que se viu durante as semanas que anteciparam o referendo venezuelano que encabeçaria poderes de reeleição ilimitada ao presidente Hugo Chavez.

O resultado final foi um dos maiores exercícios de presunção vistos nos últimos anos pela imprensa brasileira. Miriam Leitão, Alexandre Garcia, Diogo Mainardi e tantos outros esqueceram por completo a prudência e interpretaram ecos de indecisão como uma vitória manipulada antes mesmo dela existir. A palpitaria equivocada gerou-se, em especial, graças às notícias em tempo real divulgadas pelas agências EFE e Reuters, ambas pró-Bush. Quando perceberam que a votação (apertada, diga-se de passagem) pelo NÃO foi a escolhida, optaram por defender "o fator surpresa" dos eleitores como uma espécie de Plano B para suas barrigadas na TV, nos jornais e nos blogs. E havia outra solução?

Confiou-se tanto na certeza de que uma ditadura em crescimento na Venezuela não poderia originar outra coisa, senão na confirmação da vontade institucionalizada chavista para finalizar seus planos de liderança eterna, que o clima de torcida "do quanto pior, melhor" deu lugar à análise jornalística. Que decepção para eles...Foi o poder do voto de uma maioria descontente com os andamentos de uma nação que determinou os seus rumos políticos daqui pra frente. Não os tanques nem as baionetas de um "hitlerzito" com cara de rato.

Ok, há ainda sinais de que o chavismo é um governo radical, que não costuma aceitar diálogos bilaterais, controla os Três Poderes, tem uma Assembléia Legislativa com calos nas línguas de tanto lamber o coturno do coronel. Mas aceitou uma derrota nas urnas. Isso faz muita diferença.

E como diria Paulo Henrique Amorim: "Não são apenas as jabuticabas que existem só no nosso país. São pesquisas com intenção de voto que ocorrem faltando 3 anos para as eleições".

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Mês doido esse...

Novembro termina com as seguintes assombrações:

1) Menina menor de idade é acusada de furto (que ninguém até hoje provou ou reclamou o objeto roubado)no interior do Pará. Como a cidade é pobrinha e lá não há celas esclusivamente femininas, o governo paraense criou a prisão unissex. Enclausurou a menina por 24 dias junto com os outros detentos. Foi torturada e violentada por vezes seguidas. Os responsáveis pela detenção: UMA delegada e UMA juíza. Só faltaram dizer que o pedido da prisão-suruba partiu da própria acusada.

2) O presidente da Venezuela é chamado para participar de negociações com um grupo paramilitar de extrema-esquerda do país vizinho. A autorização veio do presidente francês que achou boa idéia a intercessão, pois o colega venezuelano é um esquerdista e o tal grupo paramilitar, que fez de refèns um grupo de franceses, possui simpatia ideológica com o presidente venezuelano.

O presidente colombiano, chefe da nação onde o grupo paramilitar atua, não gostou da interferência do presidente venezuelano, chamando-o de autoritário e mequetrefe. O presidente venezuelano fez biquinho, magoou-se e ficou de mal. Agora o presidente brasileiro vai fazer uma reunião para que os presidentes venezuelano e colombiano façam as pazes. Sendo que os presidentes brasileiro e venezuelano já andaram se estranhando por aí.

3) O Brasil criou uma TV pública. Em seu conselho consultivo que vai monitorar o "conteúdo editorial" da emissora constam um cantor de rap, um empresário, um cientista político, uma vítima de violência doméstica, um museólogo e o Boni (este dispensa apresentações). Mas ninguém sabe direito o que vai fazer nos próximos 4 anos enquanto durar os seus mandatos.

Na boa, tem hora que às vezes cansa...