terça-feira, 27 de maio de 2008

Quem não se comunica...

Nada como estar imerso na cultura de sua nova cidade. Às vésperas de completar um ano aqui, percebi que Brasília tem a sua babel de gírias, advindas de lugares como Minas e Bahia .Mas o que se pode constatar é que a maioria delas é uma adaptação de tantos outros regionalismos incorporados à Capital Federal. São poucas e talvez não traduzam a sua totalidade, mas as expressões abaixo são as mais usadas por aqui. Elas foram devidamente acompanhadas de suas respectivas “traduções” para o carioquês.

Divirtam-se

De boa: Resposta geralmente associada à uma satisfação dada.
Exemplo:“-Desculpa ter chegado atrasado à sua festa”.
“-Que isso, cara! De boa!”
No Rio: “Numa boa, tranqüilo”

No sal ou no prego – Numa situação difícil, numa enrrascada. Exemplo: “Meu carro quebrou numa rua deserta e escura. Fiquei no prego!” No Rio: “na merda, no perrengue”

Oreia seca: Pessoa nascida com situação econômica desfavorável, com pouco dinheiro. A expressão nasceu com os operários da construção civil, os candangos, que construíram Brasília devido às horas de exposição ao sol e ao clima seco da região.

Boto fé: Resposta para alguma informação positiva fornecida pelo interlocutor.
Exemplo: “Tô afim de estudar para concurso público”.
“Pô, boto fé”
No Rio: Pô, manero!

Carai, véi: Interjeição usada para quase todos os tipos de sentimentos. De espanto à satisfação. Exemplos: “Carai, véi! Aquela mulher é muito gostosa”. “Carai, véi! Passei no vestibular!” “Carai, véi! Meu pai morreu!”

Velho – Forma como qualquer interlocutor que você conheça, e que tenha entre 12 e 35 anos, vai se referir a você. Exemplo: “Velho, você deveria fazer exercícios físicos. Vai andar no Parque da Cidade”. No Rio: “cara”

Massa – Também falado na Bahia. Significa aprovação de alguma coisa. Exemplos: “Fulano é massa”. “Aquele show foi massa”. No Rio: “bacana”, “legal”

Nunca no Brasil/nunca precisei - Seria o equivalente ao “fala sério” quando alguém se vê diante de uma situação absurda ou constrangedora. Exemplo: “Nunca precisei ir ao motel com ele”. Atenção: expressão geralmente utilizada mais por mulheres ou gays.

Pense – Serve para reforçar uma observação feita acerca de um assunto positivo ou negativo. Exemplos: “Ontem comprei o meu carro. Pense numa pessoa feliz!” “Amanhã vou construir um muro sozinho. Pense numa pessoa cansada depois”.


Meu – Assim como em São Paulo, também se fala por aqui. Dispensa maiores explicações.

Esse trem – É a velha expressão mineira que equivale “a esse troço”, “essa coisa”.

4 comentários:

Antonio Proenca disse...

hahah gostei do 'Pense numa pessoa feliz'. Essas paradas sao iradas memo! Ih, olha eu usando o meu carioqueish com orrrgulho! O carioca ate tentou trazer 'velho' mas n deu muito nao. 'Massa' eu diria q seria o nosso 'Iraaado caaaara'. Vou postar algo parecido no meu blog falando das girias daki. sao mo barato, o povo mistura gaelico com ingles. EX. What's the craic? Algo como, 'qual a boa?'. abra

Anônimo disse...

Cara na boa, eu falo a maioria destes aí pelo menos umas 10 vezes por dia. Talvez não tenha usado o Nunca no Brasil/nunca precisei. Muito bom o post, maneiro mesmo, abraço.

Fabio disse...

ANTONIO: Não se esqueça que o nosso amigo Erik Judson falava bastante "velho" numa determinada época. Mas temos que levar em consideração que o rapaz tinha voltado de Aracajú, há pouco tempo.
Abs

Fabio disse...

FABRÍCIO: Graças a Deus que você não usa essas expressões. Senão eu iria desconfiar de sua masculinidade kkkkkkkk
Abs!